O número de casos confirmados de coronavírus no mundo dobrou de 500 mil para mais de um milhão em apenas sete dias.
Desde o início, especialistas alertam para as características mais nocivas do vírus com potencial para fazer mais vítimas do que todas as doenças já conhecidas: a velocidade de transmissão e a capacidade de causar insuficiência respiratória aguda grave em um grande número de pessoas simultaneamente.
A taxa de letalidade, que varia de acordo com a região e com o número de testes disponíveis, deixou de protagonizar o debate. O problema é que o vírus faz muita gente ficar gravemente doente ao mesmo tempo, mesmo que não seja a maioria dos infectados. Até agora, no Brasil, entre os casos registrados pelo Ministério da Saúde, uma a cada dez pessoas contaminadas é hospitalizada com a doença.
O número de mortos no mundo já passa de 45 mil, segundo a Organização Mundial da Saúde, e de 51 mil, segundo levantamento da Universidade americana de Johns Hopkins, que costuma adiantar a contagem. Nos Estados Unidos, o número oficial de mortos chega aos 4 mil; a maioria registrada nas últimas duas semanas. Donald Trump mudou o discurso e agora reforça ao orientação de isolamento domiciliar.
O mundo conheceu o novo coronavírus, que causa a doença covid-19, no fim do ano passado.
No dia 27 de fevereiro, o Brasil confirmava o primeiro caso de coronavírus, só que nesta semana, um mapeamento do Ministério da Saúde contatou que o primeiro caso mesmo chegou no fim de janeiro, quando o governo federal ainda resistia em buscar o grupo mais tarde conhecido como repatriados de Wuhan – as 40 pessoas que ficaram duas semanas isoladas em uma base aérea de Goiás.
A chegada no Brasil era a confirmação de que o vírus alcançava todos os continentes do mundo, anunciando uma pandemia, que em seguida causaria a maior crise humanitária, econômica e social desde a Segunda Guerra Mundial, segundo Organização das Nações Unidas.
O presidente Jair Bolsonaro despontou como um dos últimos líderes mundiais a negar a gravidade do problema, inclusive em pronunciamento singular em rede nacional. Mesmo que ainda resistente às medidas de contenção, o presidente já moderou o tom. Isolado, contra praticamente todos os governadores do País, ele defende que os danos causados pela paralisação da economia podem superiores aos de um colapso do sistema de saúde.
A médica Lígia Bahia, especialista em políticas de saúde pública da Universidade Federal do Rio de Janeiro, defende que o governo esclareça a estratégia para romper o crescimento da acelerada curva de contaminação, que por enquanto está em ascensão. O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que tem agido conforme as recomendações da OMS, e por isso, em antagonismo ao que prega Bolsonaro, defende que o isolamento domiciliar tem ajudado na contenção da curva.
Em torno de três bilhões de pessoas – o que representa quase metade da população mundial — vivem atualmente sob algum tipo de restrição de circulação para conter o rápido avanço da Covid-19.
Além do controle e imunização gradual da população curada da doença, que passa de duzentas mil pessoas, e resultados promissores no uso de remédios, como a cloroquina para pacientes graves, a criação de uma vacina é a principal esperança para conter a pandemia. Dezenas de países anunciaram avanços em pesquisas científicas.
O mais recente foi anunciado por pesquisadores de Israel. Um estudo concluiu que um vírus encontrado em galinhas carrega grande semelhança genética com a forma da covid-19 que afeta humanos, compartilhando do mesmo mecanismo de infecção.
O objetivo dos cientistas é produzir a vacina entre as próximas oito ou dez semanas, para alcançar a aprovação de segurança em 90 dias. Essa vacina deve ser oral, tornando-a particularmente acessível ao público geral.

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