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Investidores que negociaram ações da JBS são intimados pela CVM

Investidores que negociaram ações da JBS no momento em que a empresa se tornou alvo de operações da Polícia Federal são intimados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para explicar “as motivações econômicas” das transações.

Em maio do ano passado, os controladores do frigorífico passaram a frequentar o noticiário com uma sequência de escândalos.

Paralelamente ao esquema de corrupção, também são investigados crimes contra o mercado financeiro. A suspeita é de que os empresários usaram informações privilegiadas para evitar prejuízos ainda maiores com a queda no valor das ações. As mensagens enviadas pela CVM foram consideradas ofensivas por parte dos investidores comuns. Entre eles o servidor público André Luiz Tewfiq, que recebeu um ofício por e-mail nesta segunda-feira (16). Ouvinte da BandNews FM, o investidor explica que vender as ações da JBS foi uma decisão óbvia depois de ouvir o noticiário pela manhã:

Estava ouvindo a BandNews FM enquanto fazia a barba pela manhã, como sempre faço. E apareceu uma notícia: ‘tem movimentação de viaturas da Polícia Federal, empresários estão sendo conduzidos para depor e há buscas em andamento nos escritórios da maior empresa de produção de proteína animal do mundo”

Isso aconteceu no dia 12 de maio do ano passado – quase uma semana antes de ser vazada a delação dos controladores do grupo -, quando o empresário Wesley Batista, um dos donos da JBS, foi levado a depor durante a Operação Bullish, da Polícia Federal.

André Tewfiq ficou indignado pela forma como foi questionado pela CVM, que colocou sobre ele suspeitas de que usou informações privilegiadas para evitar prejuízos com as ações.

A Comissão de Valores Mobiliários exige, por exemplo, que ele informe se possui vínculos com Joesley Batista ou com outros colaboradores da JBS; se participou de investigações; ou se esteve presente em reuniões e tratativas de negociação da delação do empresário.

O investidor reforça que as informações eram públicas e foram amplamente divulgadas pela imprensa: “poxa, a delação foi vazada no dia 17, mas a notícia da operação sobre a JBS é do dia 12. E outra: eu ouvi a notícia na BandNews às oito horas da manhã… às 10h todo mundo já estava sabendo”, desabafa.

André Tewfiq não critica a investigação, mas a forma como a CVM tem intimidado os investidores.

Ele conta que entrou em contato com a autarquia e mesmo assim terá que responder ao ofício por escrito, anexando documentos que comprovem a versão:

Como eu vou ter um documento de que eu escutei a notícia? Se eu tiver que responder por escrito eu vou acabar contratando um advogado… isso é algo que intimida as pessoas, além de ser ofensivo. Porque eles falam que eu devo explicações: ‘as respostas requeridas deverão ser enviadas’, não é ‘poderão’ ser enviadas“.

Procurada pela reportagem da BandNews FM, a Comissão de Valores Mobiliários diz que não comenta casos específicos.

De forma geral, sobre os procedimentos que envolvem a JBS, a autarquia alega que as ações estão “estritamente dentro da sua competência legal” e que entra em contato com investidores para levantar informações que ajudem nas investigações.