Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on linkedin

Mais de 300 pessoas morreram em acidentes de turismo no Brasil em 2017

544 acidentes aconteceram com turistas no Brasil durante viagens de lazer no ano passado; 303 terminaram em morte, segundo ONG que dá apoio jurídico e psicológico a familiares e vítimas:

O Brasil tem hoje 32 normas técnicas para o chamado turismo de aventura, que inclui práticas como caminhada, escalada, cicloturismo e mergulho. Essas normas são usadas por certificadoras de hotéis, parques e resorts que podem garantir ao consumidor que a empresa segue padrões de qualidade e segurança.

Só no ano passado, ao menos 544 acidentes aconteceram com turistas no Brasil durante viagens de lazer; 303 terminaram em morte. Imperícia e negligência de prestadores do serviço, falha em equipamento e falta de sinalização estão entra as causas. Os dados são da ONG Férias Vivas, que dá apoio jurídico e psicológico a familiares e vítimas de acidentes.

A história da organização começou quando a fundadora Silvia Basile perdeu a filha de 9 anos durante um passeio a cavalo em um resort em Alagoas. “Esse passeio a cavalo era oferecido pelo resort. Só que eles coloraram ela com 9 anos numa sela de adulto. E como ela não alcançava o estribo, eles colocaram o pé dela no louro. O louro é a correia que segura o estribo. A barrigueira do animal afrouxou, a sela rodou, ela ficou com o pé preso no louro e foi arrastada pelo animal, sofreu traumatismo craniano e ficou por isso mesmo. Eu fiquei com muita, muita raiva”, relembra.

Depois de 10 anos Silvia afirma ter recebido apenas 1/4 da indenização pedida pela morte da filha. Hoje, o trabalho dela é dedicado à ONG. “O consumidor precisa reclamar em relação ao serviço. Outra orientação é em caso de acidente. Acidente de buggy no Nordeste, em trilhas, por falta de sinalização. Esses acidentes ocorrem e podem ser evitados com orientações fáceis”, afirma Silvia.

Nesta semana, o radialista Ricardo Hill, de 43 anos, morreu em um das atrações do Beach Park, um dos maiores do mundo, na região metropolitana de Fortaleza. A Polícia do Ceará espera concluir o inquérito em até 30 dias.

Beach Park/Divulgação

Quem já trabalhou no complexo aquático diz que a empresa faz um treinamento rigoroso com os funcionários, relata Jardel Andrade, que foi promotor de marketing. “Eu chegava muito cedo e sempre via eles em treinamento de primeiros socorros. Eles fazem várias corridas na praia pra manter a forma”, descreve o ex-funcionário.

A reportagem da BandNews FM pediu entrevista ao Beach Park. No entanto, a empresa só se pronunciou por nota. No texto, dizem que as normas de segurança e recomendação para os visitantes sobre cada atração são apresentadas na entrada e que todo o time participa diariamente de treinamentos com as equipes de segurança e primeiros socorros.

A nota destaca ainda que, semanalmente, todos são avaliados e auditados por uma empresa líder na indústria internacional de segurança aquática e gerenciamento de riscos. Os funcionários do parque seguem os protocolos de segurança e as recomendações do fabricante do brinquedo e avaliam a altura e o peso antes da descida.

São feitas também, segundo a empresa, duas triagens através de perguntas dos instrutores para os clientes: a primeira de altura, logo na entrada da atração. E a segunda de peso do grupo que vai descer nas boias.