Uma das meninas é loira e usa vestido azul; a outra, uma ruiva de tranças. Que criança, mãe ou pai, só de bater o olho, não reconhece essa dupla? O problema é que, algumas vezes, a vista pode enganar.

Produtos muito parecidos, mas que não fazem parte da linha “Frozen”, da Disney, são vendidos em lojas populares das grandes cidades do país. O “fenômeno” é comum com outras marcas licenciadas. A turma da “Patrulha Canina” vira “Pet Heroes”; a do “Show da Luna”, “O Mundo de Luli”.

Clones e adaptações

Esse tipo de pirataria é especialmente comum, segundo o presidente da Associação Brasileira de Fabricantes e Importadores de Artigos Escolares e de Escritório, Sidnei Bergamaschi, em mochilas e estojos.

“Existe aquela pirataria que consiste em copiar o produto original do jeito que ele é, ou seja, copiar a estampa do personagem e o nome, fazer uma duplicada, um clone. E existe também aquela que consiste em distorcer um pouco as cores, fazer uma adaptação do nome, mudar um pouquinho e tentar vender como o personagem original.

As associações comerciais e os donos das marcas licenciadas até tentam combater o problema. Mas, além da enorme quantidade de produtos do tipo à disposição no mercado, precisam lidar com outro empecilho. Enquanto a mochila original mais simples da Luna custa por volta de R$ 85, a da Luli sai a R$ 54. Uma da Frozen de rodinhas não sai por menos de R$ 250; a das clones, menos do que a metade.


Qualidade e durabilidade

E o problema não é só a falta de licenciamento. “Esses produtos podem não ter uma origem garantida, um atributo de qualidade, ele pode não ter uma durabilidade adequada. Então, o produto mais barato nem sempre é a melhor compra”, alerta Bergamaschi.

A pirataria não se restringe às mochilas. Produtos ainda mais perigosos para as crianças, usados principalmente pelas menorzinhas, precisam passar por uma série de testes antes de chegarem às prateleiras. Giz de cera, tinta e massinha, por exemplo, devem ter selo do Inmetro, órgão presidido por Carlos Augusto de Azevedo.

“Com essa faixa de idade de alunos do maternal, do jardim, que lida muito com esses materiais, é preciso tomar muito cuidado com alergias e até com intoxicação com metal pesado”, diz Azevedo.

No total, 25 produtos comumente pedidos nas listas escolares precisam ter selo do Inmetro (confira a lista abaixo). Além da ausência de substâncias tóxicas, ele garante que os itens não têm bordas cortantes ou pontas perigosas, por exemplo.

Lista de produtos que precisam ter selo do Inmetro
– Apontador;
– Borracha e Ponteira de borracha;
– Caneta esferográfica/roller/gel;
– Caneta hidrográfica (hidrocor);
– Giz de cera;
– Lápis (preto ou grafite);
– Lápis de cor;
– Lapiseira;
– Marcador de texto;
– Cola (líquida ou sólida);
– Corretor Adesivo;
– Corretor em Tinta;
– Compasso;
– Curva francesa;
– Esquadro;
– Normógrafo;
– Régua;
– Transferidor;
– Estojo;
– Massa de modelar;
– Massa plástica;
– Merendeira/lancheira com ou sem seus acessórios;
– Pasta com aba elástica;
– Tesoura de ponta redonda;
– Tinta (guache, nanquim, pintura a dedo plástica, aquarela).

Observações:
– O selo deve ser colocado na embalagem ou diretamente no produto.
– No caso de material vendido a granel, como lápis, borrachas, apontadores ou canetas, a embalagem expositora, com o selo, deve estar perto do produto.

Aiana Freitas:

DEIXE UMA RESPOSTA

Deixe seu comentário!
Por favor, informe seu nome