Mais de 113 mil ocorrências: 310 por dia, 12 a cada hora. Esse é o balanço de Secretaria de Segurança Pública sobre os casos de violência contra a mulher em todo o estado de São Paulo, em 2018.

O número poderia ser ainda maior, mas muitas vítimas deixam de registrar boletins: às vezes por medo, às vezes para evitar constrangimentos, e, em muitos casos, pelo simples fato de que as unidades de atendimento da Polícia Civil não funcionam. Atendê-las de forma especializada é mais do que uma necessidade e isso fica evidente nas promessas de campanha do governador João Doria e que repercutiram na semana que passou.

O tucano prometeu que todas as delegacias da mulher funcionariam 24 horas por dia, mas vetou a lei aprovada pela Assembleia Legislativa que determinava a abertura em tempo integral. Alegou que o projeto era inconstitucional, criticou a autora do texto, mas, diante das críticas, manteve a promessa.

Dória, inclusive, deu uma resposta rápida: anunciou que, até o fim de fevereiro, 3 novas delegacias da mulher serão inauguradas e funcionarão noite e dia. Mas, para que todas funcionem dessa maneira, o desafio será grande, já que não há policiais suficientes no estado. A afirmação é da presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia Civil de São Paulo, Raquel Galinati Para ela, com um déficit de 13.200 servidores, colocar as unidades para funcionar diuturnamente é utopia.

Das 133 delegacias da mulher no estado, nove ficam na capital e só uma funciona 24 horas por dia. No total, a Polícia Civil tem 1.458 unidades: na capital, a Secretaria de Segurança afirma que todos os 93 distritos funcionam noite e dia, sem fechar, em regime de plantão. Mas não é o que diz o artista plástico Douglas Feres, de 60 anos, que conta o que aconteceu com ele quando precisou registrar uma queixa após ser ameaçado. Além do mais, segundo, a presidente do sindicato, o regime de plantão dessas delegacias não tem funcionado bem.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública informou que os casos de menor gravidade podem ser registrados pela internet. Além disso, afirma que já estão em andamento alguns concursos para seleção de mais 2.750 policiais que, assim que concluírem o curso de formação, serão distribuídos pelo estado.

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