UTI na Itália, onde médicos tiveram que escolher pacientes por idade. Foto: Flavio Lo Scalzo / Reuters

Um protocolo para escolher quais pacientes terão prioridade na ocupação de leitos de UTI foi produzido por associações médicas, em um contexto em que não há vagas para todos nos hospitais do País.

A pandemia de coronavírus amplificou as filas de doentes em busca de tratamento e o protocolo ético e técnico deve ser utilizado por profissionais de saúde que se deparam com a responsabilidade de ter que escolher, muitas vezes, entre quem vive e quem morre.

O documento para auxiliar os médicos foi elaborado pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira e pela Associação Brasileira de Medicina de Emergência.

Ele é chamado de “protocolo de alocação de recursos em esgotamento durante a pandemia por covid-19”.

É uma tabela de critérios que devem ser observados na tomada de decisão.

Segundo o documento, os médicos devem observar basicamente três critérios para priorizar a ocupação de leitos: gravidade, maior grau de sobrevida e capacidade do paciente.

A médica intensivista Lara Kretser afirma que a decisão é baseada em quem tem mais chances de viver.

 

Na primeira versão do documento, lançada no fim de abril, em vez de capacidade funcional, era levado em conta a idade do paciente.

Entretanto, uma revisão retirou o critério.

 

O protocolo brasileiro cita o Código de Ética Médica, a Constituição Federal e destaca que as escolhas “não devem impor desvantagens de maneira desproporcional a nenhum grupo social”.

Os critérios, lançados no dia primeiro de maio, ainda não fazem parte do protocolo oficial recomendado pelo Ministério da Saúde.

O documento, no entanto, relaciona base jurídica aos profissionais que trabalham cada vez mais em hospitais sem vagas disponíveis para todos.

O infectologista Jean Gorenstein, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, afirma que os profissionais da linha de frente já perceberam que os números oficiais relacionados ao coronavírus são resultado de subnotificação.

 

O protocolo que deve nortear médicos para escolha de quem terá prioridade para ocupar vagas em UTIs está publicado no site da Associação de Medicina Intensiva Brasileira.

O documento relaciona, inclusive, ações judiciais, orientações do Ministério Público e jurisprudências, com sentenças de processos movidos por pacientes.

A intenção é dar segurança jurídica aos médicos obrigados a escolher, enquanto o governo e a rede hospitalar não garantem vagas para todos.

Clique aqui e veja a íntegra do documento

(Com informações da Rádio Bandeirantes e do UOL. Edição: Narley Resende)

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