A consultoria alemã Tüv Süd, que ficou conhecida por atestar a segurança da barragem que rompeu na tragédia de Brumadinho-MG, está próxima de fechar mais um setor no Brasil. Depois da área de engenharia, que acabou no ano passado, o braço de gerenciamento e supervisão de empreendimentos também deve encerrar as atividades.

O anúncio foi feito aos funcionários, nesta sexta-feira (19), em uma reunião geral na sede da empresa, em São Paulo. Os trabalhos foram comandados pelo CEO da operação brasileira Marcelo Pacheco.

A convocação dos cerca de 60 trabalhadores chegou via e-mail, na terça-feira (16), com o aviso de que um “assunto de suma importância” seria tratado e, por isso, a necessidade de uma reunião presencial. O teor da mensagem deixou os empregados apreensivos (desde o início da pandemia, eles estavam trabalhando em home office).

Para respeitar o distanciamento social, a empresa dividiu os funcionários em turmas no dia marcado para a reunião. Quem ouviu o relato do CEO entendeu que se trata de uma decisão definitiva, vinda da matriz alemã.

O setor de gerenciamento da companhia só tem mais um contrato em vigor, firmado com a Secretaria Municipal de Habitação da capital paulista. Tratam-se de empreendimentos de urbanização de favelas, loteamentos irregulares precários e do Programa Renova SP, que abrangem 11 subprefeituras da cidade.

O vínculo, que existe desde 2016 e foi renovado por dois anos em 2018, se encerra no mês de agosto. Existe a possibilidade de extensão por mais um ano, que está incerta, diante da situação.

Após a tragédia de Brumadinho-MG, em 25 de janeiro do ano passado, que matou 270 pessoas e deixou um rastro de destruição ambiental, a Tüv Süd não conseguiu firmar novos contratos nos setores de engenharia e gerenciamento, antes agrupados sob o nome de “Tüv Süd Bureau de Projetos e Consultoria Ltda” (hoje “TÜV SÜD BRASIL Engenharia e Consultoria Ltda”).

Ministério Público e Polícia Civil de Minas apresentam denúncias após fim das investigações em Brumadinho.

Em janeiro, o Ministério Público de Minas Gerais denunciou cinco funcionários da empresa por homicídio doloso (quando há intenção de matar) duplamente qualificado, no caso do colapso da Barragem I da Mina Córrego do Feijão.

A Tüv Süd, junto da mineradora Vale – responsável pela estrutura -, foi denunciada por crime ambiental. A Vale teve 10 funcionários e o então presidente da companhia Fabio Schvartsman denunciados.

Se o fechamento do setor de gerenciamento se confirmar, apenas o braço de Laboratórios continuará ativo no Brasil.

Apesar de ser considerado apartado da empresa, o segmento foi alvo em fevereiro, junto dos demais, de uma ação da Justiça de Brumadinho que pedia bloqueio de R$ 60 milhões em bens e a suspensão de uma série de atividades.

Questionada pela Rádio BandNews FM sobre o possível fechamento do setor de gerenciamento e supervisão de empreendimentos, a consultoria alemã disse que “não comenta rumores de mercado”.

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