Foto: Alan Santos/PR

A decisão do governo do presidente Jair Bolsonaro de submeter a política externa automaticamente às demandas dos Estados Unidos pode trazer novos prejuízos ao Brasil.

O enfraquecimento da relação diplomática com a China e a perda de uma venda bilionária ao Irã são amostras de problemas que a falta de pragmatismo econômico pode causar.

Na última semana, o Brasil se alinhou aos Estados Unidos para atingir a China na Organização Mundial do Comércio, a OMC.

Os governos Donald Trump e Jair Bolsonaro decidiram NÃO reconhecer o país asiático como economia de mercado.

Com isso, os norte-americanos mantém garantias contra a concorrência chinesa em alguns setores.

O problema é que o Brasil NÃO ganha nada com isso.

Segundo o professor de Relações Internacionais, Roberto Goulart Menezes, o Planalto dá “um tiro no pé” ao virar as costas para o maior parceiro comercial.

 

Para o agronegócio, uma briga comercial com a China pode trazer graves prejuízos.

Só no mês passado, os chineses compraram 70% da soja brasileira.

De janeiro a junho, as exportações para o país asiático chegaram a US$ 34 bilhões, principalmente em grãos e minérios, além de carnes.

Para os Estados Unidos as vendas não passaram de US$ 10 bilhões.

O deputado federal Fausto Pinato, do Progressistas de São Paulo, líder da Frente Parlamentar Brasil-China, afirma que os investimentos da China no Brasil são concretos e não precisariam correr riscos desnecessários, principalmente em um momento de crise.

 

A submissão sem contrapartida do governo do presidente Jair Bolsonaro ao governo de Donald Trump também pode comprometer a sobrevivência da Embraer.

A fabricante brasileira de aviões está prestes a perder uma venda bilionária ao Irã.

É que o Brasil segue as sanções dos Estados Unidos ao país persa, que já mostrou interesse na compra de 150 jatos comerciais.

O professor de Relações Internacionais Roberto Menezes destaca que a inabilidade diplomática do Brasil e o desrespeito ao histórico de neutralidade do País podem deixar a empresa sem alternativa.

 

Procurado pela reportagem, o Itamaraty não quis se manifestar sobre o assunto.

(Edição: Narley Resende)

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