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Reinfecção sugere que sejam coronavírus diferentes, diz imunologista

Reprodução / BandNews Station

Entre as milhões de pessoas infectadas por coronavírus desde o fim do ano passado em todo o mundo, algumas dezenas voltaram a testar positivo.

Casos de supostas reinfecções são investigados no Brasil, Estados Unidos, Bélgica, Holanda, entre outros países.

Isso depois que a Organização Mundial da Saúde reconheceu recentemente um caso documentado em Hong Kong.

Agora, o Hospital das Clínicas de São Paulo abriu um laboratório especial para acompanhamento de casos suspeitos de pacientes que testaram positivo para o coronavírus em momentos diferentes.

A Fiocruz também colheu relatos e investiga ao menos seis casos no Rio de Janeiro.

Em São Paulo, são pelo menos dezesseis.

Há também suspeitas estudadas em Ribeirão Preto, além de cidades nos Estados de Goiás, Bahia e Minas Gerais.

O médico imunologista Luiz Vicente Rizzo, diretor superintendente de Pesquisa do Hospital Israelita Albert Einstein, ressalta que era esperado que o vírus sofresse mutações, mas que os casos de pessoas que desenvolvem sintomas são raros.

A descoberta documentada de casos é importante para o desenvolvimento e atualização de eventuais vacinas.

A identificação comprovada em Hong Kong sugere que são infecções diferentes.

Com isso, o plano vacinal pode seguir outro caminho de atualização.

“O caso de Hong Kong resultou em algo muito importante que foi sequenciar o vírus inicial e esse da reinfecção. Isso comprovou, no sequenciamento, que são vírus de cepas diferentes. Isso sugere, com bom grau de segurança, que são dois vírus diferentes”, analisa.

A médica infectologista Jane de Oliveira Gonzaga Teixeira, gerente médica da Sharecare, usa como exemplo a exposição dos profissionais de saúde.

Segundo ela, o baixo índice de reinfecção constatado indica que uma mutação mais prolongada seria necessária para que a imunidade fosse anulada.

“É raro que exatamente o mesmo vírus cause uma reinfecção, porque o paciente faz uma reinfecção muito específica, mas a gente está falando de um vírus que surgiu e a gente conhece há menos de um ano. A gente acredita, até pela experiência de profissionais de saúde em contato contante com o vírus de que sim, seria necessário haver algum tipo de alteração (no vírus) para causar uma nova infecção”, afirma.

Para a sociedade de maneira geral, neste momento, pouca coisa muda.

As medidas de distanciamento e higiene, isolamento e uso de máscaras – tudo isso continua igual, tanto para quem ainda não pegou, quanto para quem já pegou o vírus.

O que pode mudar é um plano de atualização de uma vacina quando ela estiver disponível, além de estudos das mutações do vírus.

(De São Paulo, Narley Resende)