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PIX coloca Brasil entre países com sistemas bancários mais avançados

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

O sucesso do PIX pode fazer com que o Brasil tenha um dos sistemas mais avançados do mundo em transferência financeira instantânea e gratuita.

Ouça a reportagem de Narley Resende:

 

O desenvolvimento do PIX a partir de 2013 colocou o Brasil entre os cerca de 60 países que contam com sistemas de transferências bancárias rápidas e gratuitas em qualquer dia e horário.

Na Índia, o primeiro sistema semelhante, chamado Aadhaar, foi lançado em 2010, mas só em 2016 começou a integração de telefones celulares em uma interface unificada de pagamentos.

As atualizações colocam os serviços em um patamar mais próximo do que o Banco Central brasileiro espera do Pix.

Por lá, não é preciso conta alguma para receber o dinheiro e o número de telefone serve como identificação.

Cada país adota um modelo diferente de operação. No Brasil, como no México, a tecnologia foi implementada pelo Estado. Nos Estados Unidos e na China, foram os players do mercado privados; e na Austrália, por exemplo, é uma rede combinada.

O economista Hyun Song Shin, chefe de pesquisa do Banco de Compensações Internacionais, que promove a cooperação entre bancos centrais do mundo todo, afirma que o Pix também se assemelha ao sistema usado no México pela necessidade de os países aumentarem a competitividade entre os bancos.

“O Brasil é um dos países que recentemente deu passos muito importantes para trazer um sistema de pagamento de varejo mais rápido. O chamado Pix é bastante comparável a um sistema no México, chamado Codi. E esses são exemplos muito bons do tipo de sistema de pagamento rápido para usuários de varejo. E realmente ajuda a nivelar o campo de jogo competitivo e remediar algumas das imperfeições competitivas que podem resultar em custos mais altos para usuários mais desfavorecidos e assim por diante”.

A brasileira Fernanda Wendland, que morou por cinco anos na China, onde o mercado é dominado pelos aplicativos WeChat e AliPay, compara com o padrão na Alemanha, que tem o sistema de pagamento instantâneo, mas onde o mercado é pulverizado.

“É muito diferente. Aqui (na Alemanha) tem lugares que não aceitam nem cartão de crédito, enquanto na China havia lugares em que não se podia fazer pagamento a não ser com o aplicativo do WeChat ou AliPay”, compara.

A base do sistema é uma espécie de alicerce que serve para múltiplas possibilidades de pagamento rápido, dando opções aos bancos e fintechs para competirem por clientes.

No Reino Unido, o engenheiro Eduardo Fasolin aponta que são basicamente três maneiras:

“Um tem que inserir o número identificador do banco, com seis dígitos, e o número da conta da pessoa, com oito dígitos. A outra maneira é utilizar um sistema chamado PayIn, que é basicamente pagar uma conta utilizando o número de celular. E a outra, talvez até a mais utilizada, é uma que o banco sabe quem na sua lista de contatos tem conta naquele banco e quando você vai fazer uma transferência ou pagamento ele já oferece a possibilidade de fazer para todas aquelas pessoas”, diz.

Fasolin destaca que cada instituição financeira usa a tecnologia de uma forma.

“Por exemplo oferecendo o pagamento Contactless, ou sem contato, em que as chaves são associadas a celulares ou cartões que são apenas passados sobre uma máquina para debitar um pagamento.”

Ele conta que é cliente de uma Fintech que oferece serviços específicos, mas com base no mesmo sistema de transferência instantânea.

“Uma alternativa legal é quando você vai num restaurante ou em um bar você consegue dividir a conta com qualquer pessoa da sua lista de contatos. Ele envia uma requisição para a pessoa e, ela autorizando, o dinheiro já é automaticamente transferido”, explica.

“Uma das grandes vantagens é transferir a qualquer hora do dia, para qualquer conta, de qualquer banco e sem pagar taxas”, elogia.

Há três anos no Canadá, a jornalista Julia Kreutz conta que a transferência bancária com taxa, que pede número da conta e agência, está quase caindo em desuso no país.

“O que a gente usa no dia a dia, especialmente para contas pessoais, é o WeTransfer. A gente só registra o nosso e-mail associado à nossa conta bancária e só o que precisa para transferir é o e-mail e, em alguns casos, quando a pessoa quer, uma pergunta de segurança que a pessoa saiba a resposta para ter certeza que vai chegar na pessoa certa”, diz.

A diferença fundamental do Brasil, no entanto, é que no Canadá os bancos podem taxar a transação para pessoas físicas.

“Alguns bancos mesmo que não cobrem a taxa, tem um limite de transferências que pode fazer. Por exemplo, dez transferências por mês e depois paga uma taxa. O meu banco, atualmente, não cobra taxa nenhuma e posso fazer quantos wetransfers eu quiser no mês”, aponta.

Na América Latina, o Chile foi o primeiro país a contar com a tecnologia, quase na mesma época do início no Reino Unido.

Sistemas recentes, como o da Suécia e o da Dinamarca, em um ano, já têm 40 e 48 transações por pessoa, respectivamente.

Nos Estados Unidos, a rede é operada apenas por grandes bancos, o que coloca o Brasil em um patamar mais avançado.

No Pix, são quase 1.000 operadores apenas na primeira fase.

Os Estados Unidos devem ter um sistema semelhante somente daqui a três anos.