O processo eleitoral que indica ter a maior participação popular da história dos Estados Unidos, no país em que o voto não é obrigatório, também é um dos mais conturbados.

As tentativas de interferência externa, o imenso fluxo de informações – falsas e reais – na internet e as novas estratégias de comunicação são relativamente novos, mas já aconteceram em anos passados.

Desta vez, somado à intensidade das novas mídias, estão as imposições da pandemia, e as convenções partidárias foram atípicas.

O voto pelos correios neste ano foi estimulado no país, embora o presidente Donald Trump tenha questionado a segurança do método, numa clara intenção de endossar uma tentativa de deslegitimar um eventual resultado contrário à reeleição.

“Bem, vamos ter que ver o que acontece. Você sabe que tenho reclamado muito sobre as cédulas, e as cédulas são um desastre”, disse.

Na eleição passada, em 2016, foram recebidos 33 milhões de votos pelo correio, um quarto de todos os votos daquele ano.

Nos Estados Unidos, o que importa no resultado final das eleições são os votos dos delegados de cada Estado.

Quando um dos candidatos tem mais votos naquela unidade da federação, ele leva todos os delegados da região.

Como os estados tem números diferentes de delegados, é possível que um candidato vença a eleição e não seja necessariamente o mais votado – neste século, isso só aconteceu com Trump, na eleição passada, e com George W. Bush, no ano 2000.

Esse sistema faz com que as campanhas se concentrem nos estados pêndulos, ou swing states, que costumam ter eleitores indecisos.

Neste ano, em um ato que incendiou ainda mais as dúvidas sobre o voto pelos correios e confiança nas cédulas, os republicanos espalharam urnas do partido pelas ruas de estados pêndulos descritas como “oficiais”.

A confusão só aumentou e Trump se esforça para demostrar que não aceitaria uma derrota. Compartilha imagens e notícias de fraudes e cédulas avariadas, em casos isolados pelo país.

O professor Sidney Ferreira Leite, Doutor em Política Externa, avalia que a democracia é sólida nos Estados Unidos e dificilmente os questionamentos iriam prosperar depois das eleições.

“A opinião dele é absolutamente insignificante diante das instituições”, afirma.

Os democratas, de Joe Biden, já preparam um exército de advogados para blindar eventuais investidas dos Republicanos que queiram questionar um resultado diferente da reeleição.

Outro fantasma da sabotagem paira sobre a revelação do diretor de Inteligência dos Estados Unidos, John Ratcliffe, dizendo que Irã e Rússia tiveram acesso e usaram informações de registros de eleitores nos Estados Unidos para tentar interferir nas eleições.

Biden disse que se for eleito irá punir eventuais responsáveis.

Entre outros eventos atípicos desta campanha, os debates, normalmente com plateias lotadas, tiveram público reduzido, os candidatos não fizeram o tradicional aperto de mão e um deles foi cancelado, porque Trump esteve infectado pelo coronavírus e recusou participar de um confronto online.

Aproximadamente 60 milhões de pessoas já votaram antecipadamente neste ano, quase o dobro do número registrado na eleição passada.

A expectativa é que até o fim do dia 3 de novembro, data final da eleição, mais 150 milhões de americanos votem, fazendo do pleito o de maior participação popular da história.

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