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Diferenças raciais e sociais deixam população negra mais vulnerável ao coronavírus

A má alimentação, falta de qualidade de vida e o baixo acesso a serviços de saúde levam os negros serem mais diagnosticados com doenças do grupo de risco do coronavírus que os brancos.

Dados do IBGE apontam que enfermidades crônicas como diabetes, hipertensão e asma são mais presentes neste grupo, causados por desigualdades raciais e sociais.

É o que afirma a doutora em saúde pública e pesquisadora da Fiocruz sobre desigualdades raciais, Emanuelle Góes:

 

Mais de 50,7% dos negros são diagnosticados com hipertensão, contra 24% dos brancos.
Os dados analisados pela rádio BandNews FM são da Pesquisa Nacional de Saúde, divulgada na semana da Consciência Negra.

Segundo o levantamento, 4,6% dos negros nunca mediram a pressão, contra 1,5% de brancos.

Em relação ao número de pessoas diagnosticadas com diabetes, os negros também saem na frente: 15%, contra 8% dos brancos.

O levantamento do IBGE mostra ainda que 10,6% dos negros têm asma, contra 5,5% dos brancos.

De acordo com a pesquisadora Emanuelle Goes, a presença dessas doenças faz com que os negros sejam mais suscetíveis ao coronavírus:

 

Os negros também têm os piores indicadores de moradia. Cerca de 30 milhões residem em domicílios precários.  O número de brancos nessa situação é de 13,5 milhões.

A pescadora Rose Silva, que mora no Quilombo de Rio dos Macacos, na Bahia, vive em uma residência onde não há banheiro e nem saneamento.

Segundo ela, centenas de quilombolas não conseguem fazer o isolamento social por isso:

 

De acordo com a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas, a Conaq, a cada dois dias um quilombola morre infectado pelo coronavírus.

A reportagem é de Milena Teixeira.