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Eleição no São Paulo: Casares propõe mudança total no sócio-torcedor

O São Paulo terá um novo presidente a partir do dia 1º de janeiro de 2021. A eleição para a escolha do mandatário será na primeira quinzena de dezembro, ainda sem data marcada, porque, antes, é preciso realizar a eleição para novos conselheiros, que será no próximo dia 28.

Julio Casares é candidato à presidência do São Paulo (Foto: Divulgação/Juntos Pelo São Paulo)

A BandNews FM conversa com o candidato Julio Casares, do Juntos Pelo São Paulo. Ele aposta na experiência em gestão, inclusive na passagem que teve pelo marketing do próprio clube, para conseguir se eleger. Ele pretende profissionalizar todos os departamentos, especialmente, o marketing, para que o clube consiga recuperar a marca no mercado.

Quanto ao sócio-torcedor, a ideia é também deixar o programa muito mais atraente para quem o consome. “É inoperante, não oferece ao torcedor a inovação que precisamos. Porque, o sócio-torcedor, na minha opinião, tem que trazer benefícios e uma noção de que a pessoa quando entra no programa quer colaborar com o futebol. Por isso, no novo sócio-torcedor, faremos algumas mudanças radicais. Primeiro, nós vamos apresentar um balanço de que cada centavo que entrou no sócio-torcedor foi para o futebol”, comentou Casares.

O candidato também comentou sobre o que pensa para o organograma do futebol tricolor, a composição da diretoria. “Nós teremos três cargos de diretores profissionais: o diretor-executivo do futebol profissional, que é a pessoa que vai trabalhar na negociação, na contratação; o coordenador de futebol, esse ligado mais à comissão técnica, ao elenco; e o diretor-executivo da base, porque não é só você formar jogadores, é você captar novos jogadores com olheiros especializados.”

Confira a reportagem:

Ouça a entrevista com o candidato Julio Casares abaixo, em áudio, feita por Alinne Fanelli e Fábio França, ou, acompanhe em texto:

 

  • Por que você merece ser o próximo presidente do São Paulo?

Primeiro, porque eu tenho uma história de vida não só como torcedor, mas é porque eu adquiri aos 59 anos de idade uma maturidade que une a experiência acadêmica, a experiência na livre iniciativa na gestão de empresas, e a experiência das ações que eu já assumi no São Paulo como diretor de marketing, como vice-presidente, como conselheiro vitalício. Esse cardápio que nós temos, que você coloca capacidade no seu currículo também na experiência de gestão, a necessidade do São Paulo de uma pessoa que tem um grupo de pessoas altamente técnicas que está por trás de um plano de gestão, elaborado dez meses atrás, me capacita, me credencia a disputar essa eleição.

  • Com a profissionalização dos clubes, de décadas para cá, houve um inchaço nesse organograma. Antigamente, a gente tinha ali a figura do presidente, normalmente a figura de um vice-presidente de futebol muito forte, que tomava as rédeas da situação. Qual a sua ideia de organograma para o futebol do São Paulo?

O organograma tem que ter princípios. Meritocracia, profissionalização, produtividade, metas pactuadas e cobranças como qualquer empresa. No futebol, faremos uma reestruturação profunda. Os pilares estarão embasados no presidente que serei eu e muito presente no futebol. Eu delego, mas estarei presente. Não só com os olhos do mandatário, mas também na cobrança firme tanto no futebol de base como no profissional. Nós teremos três cargos de diretores profissionais: o diretor-executivo do futebol profissional, que é a pessoa que vai trabalhar na negociação, na contratação; o coordenador de futebol, esse ligado mais à comissão técnica, ao elenco; e o diretor-executivo da base, porque não é só você formar jogadores, é você captar novos jogadores com olheiros especializados. Claro que vamos ter a figura da câmara setorial, com pessoas que fazem parte do conselho para serem os facilitadores dessa profissionalização, para blindar esses profissionais que estarão voltados 100% para o trabalho profissional, e o presidente que estará próximo do dia a dia do futebol. Teremos como órgão auxiliar, não para deliberar, um Comitê Avançado de Futebol. Ele não vai decidir se aprova ou se veta tal jogador. Ele vai fazer um trabalho que vai dar elementos para que as decisões de contratações tenham menores erros. Os erros podem acontecer, mas nós temos que diminuir o risco.

  • Quantas pessoas fariam parte desse comitê? Elas seriam remuneradas? Seria uma estrutura a mais do que o clube já possui hoje no CT da Barra Funda? E isso não pode de alguma maneira prejudicar com muita gente querendo dar opinião no futebol do São Paulo?

Não, não. Vou deixar bem claro. Será composto por cinco pessoas e é um trabalho extremamente técnico. Ele não vai dizer se deve votar na contratação. Ele vai fazer um trabalho que deveria ser feito pela avaliação de desempenho que, hoje, geralmente, indica um jogador dizendo “fez tantas partidas e é importante nessa posição”. É um trabalho valioso, mas precisamos de uma radiografia da performance desse jogador e do que ele pode dar. Por exemplo, eu não falo que o São Paulo terá teto salarial, mas ele terá um orçamento. E esse parecer do orçamento vai estar acompanhando muito claramente: “Olha, tem mais isso para investir e não pode passar disso”. E não é gente mandando, tanto é que ficará, fisicamente, no Morumbi.

  • O futebol é muito cíclico. Times que hoje estão por baixo, que hoje não vencem, dali a pouco começam a vencer e já venceram no passado. Times que hoje estão vencendo, deixaram de vencer em determinado momento e podem ter dificuldades, por isso, o futebol é cíclico. O São Paulo vive hoje um problema estrutural, financeiro, e normalmente, os problemas começam justamente quando o time está vencendo, porque as vitórias encobrem alguns possíveis erros. E, para solucionar problemas, precisa identificar a origem para que ele não aconteça de novo. Com o São Paulo foi assim?

Concordo, é o tal do conforto da vitória. Um clube tem que ter planejamento a médio e longo prazo. Não existe mais aquela calma, a paciência, no início de um trabalho. Eu defendo um planejamento, uma longevidade o quanto possível de um técnico, de comissão uma técnica, porque eu defenso uma filosofia. É um plano diretor para o futebol. Eu conversei várias vezes com o Zetti (ex-goleiro), é um homem que tem uma visão da função do goleiro das mais importantes do futebol brasileiro. Precisamos ter uma escola de goleiros desde a base até o profissional. Quando você tem um técnico do profissional que ele tem uma filosofia de esquema tático, precisamos fazer com que a escola da base funcione para que tenha uma sinergia com o pensamento filosófico desse técnico. Acredito muito nisso a longo prazo. Vamos implantar a escola de goleiros com o Zetti, não só na base como no profissional. O São Paulo tem um Tiago Volpi, que é um grande goleiro. O Lucas Perri, que é da base, estava em uma promoção natural de sequência. O São Paulo fez o que? Contratou o Jean, que é um bom goleiro, não vou discutir. Mas foi ao mercado, contratou com um investimento que ao meu ver não era prioritário, brecou a promoção do Lucas Perri e fez um investimento para um reserva do Volpi. Então, não tem um padrão de uma filosofia de escola.

  • O que você pensa a respeito da possibilidade de voto direto do sócio e até do sócio-torcedor para presidente do São Paulo?

Tudo o que chegar na nossa mesa como proposta e ampliar a questão democrática da representação, nós vamos discutir. Entretanto, precisamos fazer algumas colocações. Vamos imaginar nesse aspecto que no trouxe até aqui do voto indireto, porque o sócio vota no conselheiro e o conselheiro vota no presidente. Vamos imaginar que nós passamos isso para uma consulta maior, ou primeiro para o sócio do clube ou, depois, para o sócio-torcedor. Claro que se isso acontecer teremos regras rígidas, como periodicidade, quanto tempo a pessoa tem que ficar no plano sócio-torcedor ou sócio do clube para poder votar… É aquela questão da ‘são-paulinidade’, porque o clube social não é exclusivo para quem torce para o São Paulo nem para quem torce para outros clubes. O clube social tem ativação do entretenimento, lazer, família, e da questão geográfica. As pessoas, às vezes, moram perto do Morumbi e, mesmo torcendo para outro clube, preferem estar dentro desse complexo que é o Morumbi. Vamos imaginar que nós tenhamos um grande ídolo da história do São Paulo, campeão do mundo, etc, que nunca geriu uma empresa, uma loja ou um pequeno negócio, mas é muito popular. Ele foi lá, se associou, é sócio-torcedor, possível de ser um candidato. Aí, pela popularidade, ele ganha a eleição direta. Aí eu pergunto: o São Paulo estará bem representado? É uma situação que precisamos refletir. De repente, você pode ter uma representatividade, com peso X, que pode fazer uma triagem de candidatos que surgem indicados pela área interna e passem por um crivo, depois, do sócio, do sócio-torcedor.

  • Há uma reclamação muito grande com relação ao projeto do sócio-torcedor: de falta de produtos, de coisas relacionadas ao clube, da compra de ingressos, e, em cima disso, entrando na sua área. Como você vê o marketing do São Paulo hoje? O clube não aproveita tudo o que poderia oferecer ao torcedor?

O programa será totalmente reformulado. É inoperante, não oferece ao torcedor a inovação que precisamos. Porque, o sócio-torcedor, na minha opinião, tem que trazer benefícios e uma noção de que a pessoa quando entra no programa quer colaborar com o futebol. Por isso, no novo sócio-torcedor, faremos algumas mudanças radicais. Primeiro, nós vamos apresentar um balanço de que cada centavo que entrou no sócio-torcedor foi para o futebol. Nós vamos trazer um ranking de fidelização: quem foi mais em jogos, quem comprou mais produtos, quem comprou pay-per-view, que adquiriu mais produtos licenciados, vai ter um balanço e uma pontuação para que tenha benefícios em produtos ou em outras experiências que o dinheiro não consegue pagar. Precisamos ter a interatividade e, nessa linha, vamos contratar um diretor de inovação, que entenda a plataforma de TI e traga agilidade na compra de ingressos, de serviços. Teremos o esports acoplado ao novo sócio-torcedor, também sorteios de título de capitalização e, principalmente, o sócio-torcedor à distância, que vai pagar menos, porque não vem muito aos jogos. O marketing é uma área que vai ter 100% de mudança. Vamos trazer profissional de mercado, experiente e são-paulino. Já temos um nome. Temos que valorizar cada vez mais a marca. Quando você profissionaliza a área do futebol, o marketing, a área financeira em razão da dívida pesada, e a área de inovação e da gestão do estádio, um diretor que olhem aquilo como um shopping center, e com asi novações de lançamentos de produtos, eventos, entre outros. Quando nós fizermos tudo isso, com as pessoas que nos apoiam, com o time que vamos anunciar, o São Paulo vai se apresentar no mercado de maneira diferente.