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Eleição no São Paulo: Natel quer voto direto de sócios e sócios-torcedores

O São Paulo terá um novo presidente a partir do dia 1º de janeiro de 2021. A eleição para a escolha do mandatário será na primeira quinzena de dezembro, ainda sem data marcada, porque, antes, é preciso realizar a eleição para novos conselheiros, que será no próximo dia 28.

Roberto Natel é candidato à presidência do São Paulo (Foto: Divulgação/Resgate Tricolor)

A BandNews FM conversa com o candidato Roberto Natel, do Resgate Tricolor. Ele aponta que está no São Paulo desde 2001 e que é qualificado para dirigir o clube a partir da próxima temporada.

Natel coloca como prioridade a alta dívida, que pode chegar a R$ 800 milhões em janeiro. “Tem que ser a preocupação de qualquer um. O Marco Aurélio Cunha é vencedor nessa área [futebol] e, juntos, usando a base, vamos conseguir ter um futebol forte e um financeiro forte para acabar com as dívidas. Não tenha dúvida que meu objetivo até o final do meu mandato será solucionar essa dívida”.

Outra bandeira do candidato é o voto direto à presidência. Hoje, os sócios do clube escolhem os conselheiros e apenas esse grupo elege o mandatário são-paulino. “Quero, sim, que o sócio do clube vote diretamente para presidente, como eu quero criar uma categoria de sócio-torcedor onde ele terá condições de votar para presidente também. É importantíssimo abrir esse leque para o São Paulo modernizar e parar com isso de que só 260 conselheiros sejam os únicos que determinam quem será presidente.”

Confira a reportagem:

Ouça a entrevista com o candidato Roberto Natel abaixo, em áudio, feita por Alinne Fanelli e Fábio França, ou, acompanhe em texto:

 

  • Por que você merece ser o próximo presidente do São Paulo?

Eu venho trabalhando no São Paulo desde 2001 e passei por todas as áreas para poder chegar neste momento e ser o candidato à presidência. Eu não vim de repente. Comecei por baixo e vim subindo a escada até chegar em um patamar onde eu achava que era o momento de ser o candidato para fazer a mudança e resgatar o São Paulo Futebol Clube.

  • O seu plano de gestão mostra que você é um crítico ao organograma inchado dos clubes de futebol nos últimos anos. Qual o organograma ideal para você? 

Com relação ao diretor de futebol, vai ser o Marco Aurélio Cunha, que todos já conhecem e sabem do sucesso dele no futebol. Ele já declarou que não será remunerado. É um grande profissional da área, já participou do São Paulo como profissional, já participou de outros clubes. Neste momento, ele abriu mão e vai ser como um colaborador. Na minha gestão, terei diretores-executivos no financeiro, no administrativo e no marketing. Esses três serão executivos com meritocracia e terão que cumprir metas. O São Paulo está muito inchado em todos os setores, tem que começar a olhar com carinho para poder equacionar as dívidas.

  • Mas o próprio Marco Aurélio seria a ponte da direção com a Barra Funda ou haveria ali ainda um gerente de futebol para fazer o meio de campo?

Vamos sentar o Marco Aurélio e eu, com certeza, ele vai ter um gerente. Porque, o que nós estamos mudando no futebol é que o diretor de futebol vai tomar conta de toda a cadeia do futebol. Então, o Marco Aurélio vai ser o homem forte do futebol principal e da base, ele quem vai tocar tudo do São Paulo. Provavelmente, ele deve colocar um gerente no principal e um adjunto na base. Mas quem vai tomar as decisões vai ser o homem forte, que é o Marco Aurélio Cunha, junto com o presidente.

  • Você entende que o futebol do São Paulo precisa de mudanças na Barra Funda, até estruturais, como modernização de equipamentos? Se sim, como isso pode ser feito, já que o clube tem uma dívida muito alta que pode ser até maior?

Quando o São Paulo modernizou a Barra Funda, teve um patrocínio na época e não gastou com os equipamentos. Vamos tentar. O Marco Aurélio conhece muito isso, já sentamos e conversamos a esse respeito. Não vejo problema nenhum porque lá você tem muita visibilidade, então é muito fácil arrumar recursos para modernizar sem ter custo em cima disso.

  • A saúde financeira do São Paulo é o que mais te preocupa neste momento?

Tem que ser [preocupação] de qualquer candidato à presidência. Tem que entrar na nova gestão e se preocupar porque, em janeiro, provavelmente a dívida deve se aproximar dos R$ 800 milhões. Então, qualquer presidente que venha, tem que tocar nas dívidas para começar a colocar o São Paulo no seu caminho. E todo são-paulino quer o resgate do clube, quer voltar a ter sua história, alegria. Vou focar nas dívidas, no financeiro. O Marco Aurélio é vencedor nessa área [futebol] e, juntos, usando a base, vamos conseguir ter um futebol forte e um financeiro forte para acabar com as dívidas. Não tenha dúvida que meu objetivo até o final do meu mandato será solucionar essa dívida.

  • Um dos projetos do seu plano de gestão é não deixar que garotos da base sejam vendidos de maneira precoce. Mas, com essa situação do clube, de uma dívida tão alta, é possível segurar o jogador?

O São Paulo vendeu garotos e trouxe jogadores experientes quase que com o mesmo valor ou até maior. Então, não tenho dúvidas de que teremos condições de segurar jogadores. A dívida está aí, o São Paulo é muito grande. A partir do momento que você mostrar que está com compliance, transparência, com administração compartilhada e responsável, não tenha dúvida de que o São Paulo vai crescer bastante e o torcedor vai poder ter a história do seu garoto, conhecer o garoto. Quando ele sair do São Paulo, ele criou uma história e vai deixar saudades. O clube vai ter um retorno financeiro muito grande em cima de venda.

  • Você pensa em alguma parceria para administrar o São Paulo, no que diz respeito ao time de futebol?

Não, o São Paulo vai procurar patrocínios, parceiros, no sentido de arrecadas dinheiro, mas nada relacionado a cogestão.

  • Falando um pouco de Cotia, você também fala no seu plano de gestão de maior utilização dos jogadores da base. O São Paulo hoje utiliza muito mais do que utilizou nos anos anteriores. O que mais daria para a acrescentar?

O São Paulo começou a utilizar porque está sem recursos. Se tivesse feito isso desde o começo da gestão, o clube estaria bem diferente da situação que está hoje. Então, ele [o presidente Leco] simplesmente está fazendo aquilo que estou falando que vou fazer quando a minha gestão entrar. Não tenha dúvida de que só estão fazendo isso porque chegou em um limite financeiro.

  • O que você pensa do voto direto para a presidência do São Paulo, seja por sócio seja por sócio-torcedor?

Essa é uma bandeira que eu tenho colocado. Não é da gestão, mas eu quero fazer uma mudança no estatuto. Quero, sim, que o sócio do clube vote diretamente para presidente, como eu quero criar uma categoria de sócio-torcedor onde ele terá condições de votar para presidente também. É importantíssimo abrir esse leque para o São Paulo modernizar e parar com isso de que só 260 conselheiros sejam os únicos que determinam quem será presidente.

  • Já que você abordou o sócio-torcedor, o que você pensa do programa atual e também do site de venda de ingressos?

Com relação a essa venda, vamos entender qual está sendo a dificuldade da empresa. Se a empresa está sendo questionada e se o São Paulo tem reclamado a esse respeito. Se ele tem, por que não tomaram providências? Não tenha dúvida, se continuar desse jeito, vamos procurar um novo parceiro ou o próprio São Paulo irá fazer a venda de ingressos. Quanto ao sócio-torcedor, tem que mudar. O clube não conhece seu sócio-torcedor. Você precisa conhecer, ter uma base de dados e entender quais são as necessidades dele, o que ele quer com o plano. Vamos contratar uma empresa especializada nisso e vamos mudar os planos, melhorá-los, para termos mais sócios-torcedores.

  • Você está na atual gestão como vice-presidente do Leco, mas rompeu com o mandatário. Em sua posição, se sentiu de mãos atadas para mudar alguma situação no clube dentre as muitas que você pontua no plano de gestão?

Sem dúvida. Eu não tive oportunidade, o Leco nunca quis escutar o vice-presidente. Pelo contrário. Ele acabou dificultando em todos os aspectos porque ele foi na contramão do que todo mundo estava pensando, de modernizar com o estatuto novo, de criar profissionais com meritocracia. Então, ele acabou indo na contramão daquilo que ele havia conversado comigo antes de virar presidente. Mas em nenhum momento deixei de batalhar, de bater de frente, de votar contra quando tinha que votar contra. Fiz meu papel de conselheiro, de vice-presidente, então, me sinto muito capacitado porque os dois últimos presidentes não fizeram aquilo que os milhões de são-paulinos esperavam.