Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on linkedin

Atacante do Fortaleza, Joelma tem como sonho jogar a Champions

Vice-artilheira do Fortaleza com seis gols, a atacante Joelma foi um dos destaques da equipe durante a disputa da Série A2 do Brasileiro Feminino.

As Leoas foram eliminadas nesta sexta-feira (11), nas quartas de final da competição. Depois de um empate por 0 a 0 no jogo de ida, o Bahia fez 1 a 0 na Arena Fonte Nova e ficou com a classificação à semifinal e a vaga na elite do futebol feminino nacional.

O começo da carreira de uma atleta no futebol, geralmente, tem participação da família. E com a paulistana do Tatuapé de 25 anos não foi diferente.

Ela tinha como sonho quando pequena ser cirurgiã plástica, mas a vida a levou para outro caminho. No campinho da rua em que a família mora em são Paulo, Joelma começou a brincar com os irmãos, com os amigos, até que surgiu um teste no Centro Olímpico, referência no esporte.

A atacante Joelma, de 25 anos, do Fortaleza (Foto: Arquivo Pessoal)

“Meus irmãos iam jogar bola em frente de casa e comecei a ir. Aí sim, quis ser só jogadora. Percebi que eu tinha um talentinho”, brinca.

“Eu não pensava em jogar uma equipe feminina. Tinha a escolinha lá perto de casa e para mim estava ótimo. Até que, um dia, quando eu tinha por volta de 15 anos, minha irmã Thaís falou de uma peneira no Centro Olímpico. Na mesma época, precisei fazer uma cirurgia e não pude ir. Meses depois, foi programada outro teste. Fiquei com muito medo de não passar. Minha mãe não podia me levar no dia, então, minha tia de consideração me levou. Eu fui e passei no primeiro tempo. Era a comissão técnica que trabalhou com o Arthur Elias [técnico do Corinthians]”, conta.

Joelma sempre foi atacante, mas só no Centro Olímpico ela foi levar o futebol mais a sério. Porque, até então, não queria saber de treino sem bola. “Quando eu estava na escolinha perto de casa, era treino de terça e quinta. Eu só queria ir na quinta porque era o coletivo. Terça era só físico e eu não gostava. Aí o treinador me deixava no banco.”

Até chegar ao Fortaleza, a atacante passou por alguns clubes. São Bernardo, Santa Cruz, Ponte Preta, 3B da Amazônia e São José. Com tantas experiências, ela pensou em desistir em um momento devido às dificuldades estruturais de um clube. Foi em 2017, quando foi para o Recife.

“Deu tudo errado. Eu não tinha empresária e fui porque um cara me chamou, mas foi muito ruim. Não tinha campeonato, jogamos só uma partida festiva. E quando eu voltei para São Paulo, não queria jogar mais. Os meninos da rua e minha família falaram que eu não ia parar. Então, joguei em time amador, Jogos Regionais, até ser vista pelo pessoal da Ponte Preta, foi quando voltei para a elite. Foi bom eu não ter desistido. Joguei em um time que, querendo ou não, não era profissional, mas quando as coisas têm que acontecer, dá tudo certo”, desabafa.

Joelma acompanhou com muita alegria as finais do Campeonato Brasileiro Feminino, transmitidas pela Band. O Corinthians conquistou o bicampeonato com uma vitória por 4 a 2 sobre o Avaí/Kindermann. “A gente fica muito feliz pela visibilidade. Você vê as pessoas na rua falando sobre futebol feminino. Antigamente, não víamos isso. Então, é muito gratificante. São ótimos times, com jogadores da seleção. Só tem a melhorar. Com todo mundo fazendo bonito, todos crescem juntos, independentemente da equipe.”

A paulistana tem como sonho jogar a Liga dos Campeões feminina. “E seleção brasileira também, acho que é onde todo mundo quer chegar. Mas é consequência de um trabalho em um time. Se eu estiver bem a ponta de jogar por um clube de Champions League, acredito que a seleção vai ser consequência”, admite.

Quando pequena, Joelma queria ser cirurgiã plástica. Hoje, o desejo é de ser advogada. “No ano passado, comecei a fazer a faculdade em São José do Rio Preto, mas não consegui conciliar. Comecei no meio do ano e foi uma fase com Brasileiro e Paulista para disputar, viagens duas vezes na semana, tudo era muito corrido. Entendi que era melhor trancar. Eu faço inglês, leio bastante e o pouco tempo que eu fiquei na faculdade tive conhecimento e direcionamento de quais livros ler. Espero, mais para frente, voltar. Quero ser advogada”, finaliza.

Ouça o Tem Mulher na Área: