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Logística e esquecimento atrapalham imunização da população brasileira

Foto: Charles Platiau/REUTERS

Esquecimento, dificuldades logísticas e problemas na atualização dos dados que envolvem a vacinação no Brasil podem explicar o abandono vacinal no País.

A quantidade de pessoas que não tomou a segunda dose da vacina contra a Covid-19 preocupa as autoridades de saúde.

Até está terça (13), apenas 3% da população completou a vacinação com as duas doses da CoronaVac e Oxford/AstraZeneca, as vacinas usadas no Brasil.

Dados do DATASUS, compilados para a reportagem da BandNews FM, apontam que mais de 700 mil pessoas ainda não compareceram para a segunda dose, mesmo estando no prazo.

No entanto, o próprio ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, reconheceu hoje que esse número pode chegar a mais de 1,5 milhão de brasileiros.

O médico e professor de Epidemiologia da UERJ e da UFRJ, Guilherme Werneck, explica que o problema aqui é que, se a primeira dose desenvolve nossos anticorpos, a segunda é a que ensina o nosso corpo a se defender.

Esse índice de abandono vacinal varia muito em cada região do País.

Mas o médico chama especial atenção sobre a situação do Amazonas: por lá, até o começo desta semana, quase 79% das pessoas aptas não tomaram a segunda dose.

A explicação, segundo a diretora técnica da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas, Tatyana Amorim, pode estar também em uma dificuldade de atualização dos dados.

Um levantamento feito pela BandNews FM junto às secretarias de saúde dos Estados mostrou que a fala da Tatyana faz sentido: ao menos 12 secretarias reconheceram que não têm esse controle.

E, sem ele, fica difícil fazer, por exemplo, tomar iniciativas como a que está fazendo a Secretaria Municipal de Saúde de Montenegro, no interior do Rio Grande do Sul.

A cidade estava preocupada com o não comparecimento para a segunda dose.

Por isso, os agentes comunitários de saúde foram buscar em casa os esquecidos.

A secretária de Saúde, Cristina Reinheimer, conta que dos 300 moradores, ou, cerca de 7% do total que ainda não tinham comparecido para aplicação da segunda dose, 260 foram vacinados por causa dos avisos dessas equipes.

Na cidade de São Paulo, cerca de 50 mil pessoas ainda não voltaram aos postos de saúde para tomar a segunda dose da vacina contra o coronavírus.

A coordenadora da Divisão de Imunização da Secretaria Estadual da Saúde, Helena Santo, orienta que tanto a CoronaVac quanto a vacina de Oxford precisam de reforço.

A segunda dose da vacina de Oxford/Astrazeneca precisa ser tomada 90 dias depois da primeira.

Já a CoronaVac é reaplicada com intervalo que pode ser de 14 a 28 dias.